Nove meses que levamos o nosso bebé na barriga e não nos aguentamos de esperar para o ter pela primeira vez nos braços — só que, na alegria e nos sonhos, não nos deixa em paz um susto chamado parto. Só a própria palavra “parto” desperta medo e respeito na maioria das mães. O método de hipnoparto não é nenhum voodoo, mas sim um método comprovado para conseguir um parto natural com tranquilidade e quase sem dor.
Hipnoparto como uma celebração da vida
O nome hipnoparto é um pouco enganador e pode afastar as mulheres facilmente. Não se trata de hipnotizar, como conhecemos nos filmes, mas sim de um conjunto de técnicas naturais para lidar com o parto da melhor forma possível e garantir um processo tranquilo para si e para o bebé. A autora do hipnoparto é a norte-americana Mary F. Monganová, mãe várias vezes, cujo objetivo pessoal era dar à luz os seus filhos de forma natural — o que, nos anos 50, era muito incomum. Apesar de ter um plano de parto elaborado e de um acordo com o obstetra, durante os dois primeiros partos não lhe foi permitido ter um parto natural.
Mary F. Monganová sentiu-se frustrada e decidiu mudar o sistema obstétrico. Mergulhou no tema e construiu o seu método com base nos conhecimentos do obstetra inglês, o Dr. Grantly Dick-Read, que já em 1913 investigava as diferenças entre o parto natural e o parto com intervenções médicas.
O princípio básico de todo o programa é a afirmação de que o parto é normal para a mulher e que pode decorrer com calma e de forma cuidadosa. As mulheres que dominam as técnicas de hipnoparto conseguem até dar à luz sem dor — apenas com a sensação de pressão. O alfa e o ómega é reduzir o medo e confiar no próprio corpo. O parto não é um monstro, mas uma celebração da vida.

O medo joga contra nós
Um grande obstáculo é o medo com que as mulheres chegam à maternidade e do qual quase é impossível livrar-se. Hoje em dia, até uma menina pequena já sabe que parto e dor são a mesma coisa. Filmes, artigos em revistas e histórias de terror de mulheres que já passaram por isso apoiam-nos nisso. Muitas mulheres, sobretudo da geração mais velha, dizem que as jovens de hoje não aguentam nada. Talvez se lembre de histórias das nossas bisavós e das nossas bis-bisavós, que trabalhavam no campo e, quando chegou a hora, se escondiam debaixo da árvore mais próxima, davam à luz em paz e voltavam ao trabalho.
Essas histórias foram sendo ajustadas ao longo dos anos, mas uma coisa não se pode negar — a naturalidade do parto. As mulheres não foram, desde cedo, expostas ao stress do parto — pelo contrário, encaravam o parto como uma parte natural da vida. É precisamente essa tranquilidade que o método de Monganová procura — a mulher é preparada para conseguir lidar com o parto com facilidade e com o mínimo de dor.
O alfa e o ómega é afastar o medo. Quando a mulher entra no trabalho de parto com medo e em stress, o corpo assume uma posição defensiva e produz a hormona catecolaminas, que atua como agente de stress. Simplificando: o fluxo de sangue desvia-se dos órgãos que não estão envolvidos no mecanismo de defesa e o sangue vai para os órgãos vitais. Isso faz com que as artérias que vão para o útero se contraiam em vez de se relaxarem e abrirem.
O resultado é a musculatura tensa no útero e o colo do útero fechado. Neste momento, a mulher em trabalho de parto sente uma dor considerável. Também não é nada incomum o prolongamento do parto e das dores de parto.

Respirar acima de tudo
A teoria é clara, mas quando chega a hora de verdade, poucas mulheres conseguem manter a calma. É como com a ansiedade. Pode dizer a si mesma que não vai ter medo, mas no momento em que se coloca perante o público, fica rígida. Infelizmente, as associações negativas relacionadas com os partos estão profundamente enraizadas e superá-las exige um plano a longo prazo.
A solução é precisamente o hipnoparto, que ensina à parturiente técnicas de respiração e de visualização, graças às quais ela ficará relaxada durante o parto. As técnicas são muito semelhantes aos exercícios de respiração do ioga e, tal como o ioga, exigem treino a longo prazo. Para alcançar um estado ótimo e estar preparada para o parto, recomenda-se frequentar um curso licenciado de hipnoparto, onde a instrutora explica as técnicas individuais e o subsequente treino diário da respiração durante alguns meses.
Um grande ponto positivo é se a mulher, durante a gravidez (ou até antes), frequenta aulas de ioga.

No curso de hipnoparto também esteve a mãe Katka: Soube do hipnoparto em algum lugar na 30.ª semana de gravidez e decidi experimentar. No entanto, não consegui dominar a técnica de hipnoparto, porque a fiz 4 semanas antes do parto em si. O facto é que é preciso tempo suficiente para o treinar. Mas não me arrependo do curso. O que me ajudou sobretudo foi perceber que o parto é uma parte natural da vida da mulher e que não é preciso ter medo dele.
Se você é saudável e não pertence a um grupo de risco (gravidez de risco), o método de hipnoparto é adequado para si. Pode comprar o livro de Marie F. Monganová — HypnoBirthing: The Mongan Method, frequentar um curso licenciado ou procurar vídeos disponíveis online.





