Quais são os benefícios da massagem do períneo durante a gravidez?

  Categorias: Gravidez,
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24. May'26

À medida que a data do parto se aproxima, as mulheres grávidas começam a se preparar para o nascimento. Praticam a respiração correta, participam de cursos de preparação para o parto e esperam que o parto ocorra exatamente conforme suas expectativas. No entanto, nem todas sabem que podem preparar seu corpo para o parto por meio da massagem perineal. Por que a massagem perineal é benéfica na gravidez e como realizá-la?

O períneo, em latim perineum, é a área entre a abertura da vagina e o ânus. Está ligado aos músculos que sustentam os órgãos reprodutivos, os intestinos e a bexiga — ou seja, ao assoalho pélvico. A massagem perineal ajuda a flexibilizar o períneo com o objetivo de preparar o corpo para o parto. A cabeça e o corpo do bebê durante o parto vaginal precisam passar pelo canal de parto e não é raro que o períneo se rasgue durante o parto ou que o obstetra precise realizar um corte no períneo. A massagem perineal durante a gravidez minimiza esse risco.

Massagem perineal e seus benefícios

Durante o parto, cerca de 40 a 80% das mulheres enfrentam algum grau de laceração do períneo, sendo que aproximadamente dois terços dessas lacerações exigem pontos. O dano ao períneo durante o parto pode levar a problemas no assoalho pélvico, prolapso uterino, desconforto sexual ou incontinência. Infelizmente, ainda existem obstetras que não respeitam as mulheres em trabalho de parto, abordam o períneo de forma insensível e realizam cortes quando não seriam necessários. A massagem perineal pode reduzir significativamente o risco de lesão no períneo durante o parto, além de trazer outros benefícios:

  • Prepara os músculos para o parto. A massagem perineal aumenta o fluxo sanguíneo e pode ajudar os tecidos, a pele e os músculos a se esticarem durante o parto com menos dor.
  • Reduz o risco de laceração. Cerca de 1 em 15 mulheres que fazem massagem perineal regularmente durante a gravidez não precisam de episiotomia (corte no períneo) e minimizam o risco de laceração que exigiria pontos.
  • Diminui a necessidade de pontos. Embora a massagem perineal não evite completamente as lacerações, ela pode reduzir a necessidade de pontos, ou seja, diminuir a extensão do corte.
  • Ajuda mulheres com tecido cicatricial. Mulheres que tiveram lesões anteriores ou têm o períneo rígido (frequentemente devido a equitação ou dança) podem relaxar os tecidos cicatriciais com a massagem regular.
  • Prepara para o parto. Ao prestar atenção à área que mais sofre durante o parto, é possível focar em relaxar e perceber as sensações que acompanharão o nascimento. A massagem prepara física e psicologicamente para o parto e para o que será enfrentado durante ele.

A massagem perineal é adequada para todas as gestantes, a não ser que o obstetra a proíba explicitamente. Como já mencionamos (e ainda vamos mencionar), ela reduz o risco de laceração do períneo. Não existe uma razão clara para que algumas mulheres sofram lacerações e outras não. O tipo mais comum é a laceração de primeiro e segundo grau, que é leve, geralmente não exige pontos e é improvável que cause problemas de saúde a longo prazo.

Nas lacerações de terceiro e quarto grau do períneo, é possível identificar certos grupos de risco nos quais a laceração que necessita de sutura é mais provável. Esta categoria inclui mulheres que:

  • estão no primeiro parto vaginal;
  • têm um bebê que pesa mais de 4 kg;
  • têm uma fase expulsiva prolongada (fase em que a mulher em trabalho de parto faz força para expulsar o bebê);
  • têm o ombro do bebê preso no osso púbico;
  • precisam de parto instrumental vaginal (com fórceps ou vácuo-extrator).

Massagem perineal

Fonte da foto: Freepik

Massagem perineal passo a passo

Recomenda-se começar a massagem perineal entre a 34ª e 36ª semana de gestação, sendo que cinco minutos já são suficientes para sentir os efeitos. É indicado massagear o períneo uma ou duas vezes por semana até o parto. Antes de iniciar, certifique-se com seu ginecologista de que não há contraindicações para a massagem perineal. Embora a massagem seja geralmente segura, ela não é recomendada para mulheres que:

  • estão antes da 34ª semana de gestação;
  • têm placenta baixa (placenta prévia);
  • têm colo do útero curto;
  • estão sangrando;
  • têm infecção (infecção vaginal por fungos ou herpes);
  • têm problemas de pressão arterial durante a gestação.

O melhor momento para a massagem é quando a mulher está relaxada e tem tempo para cuidar de si mesma. Essa massagem é específica e inicialmente pode ser desconfortável, então não faça nada que ultrapasse seus limites. A massagem perineal também exige prática e pode ser que no começo não se tenha certeza se os movimentos estão corretos. Com o tempo, conhecerá melhor seu corpo e a sensação que acompanha a massagem perineal. Aprenda o procedimento passo a passo:

Passo 1 - Vá ao banheiro. Esvaziar a bexiga facilita a massagem e permite que a mulher foque nos movimentos, não na necessidade de urinar.
Passo 2 - Lave as mãos. Comece a massagem com as mãos limpas, usando um sabonete suave que não irrite a pele ao redor do períneo. Uma manicure curta é recomendada para evitar machucados com unhas longas.
Passo 3 - Encontre uma posição confortável. Sente-se confortavelmente em um lugar tranquilo e privado, onde não será interrompida. Também pode deitar — o importante é ter espaço para abrir as pernas e dobrar os joelhos, e que a posição seja agradável. Se desejar ficar sentada ereta durante a massagem, apoie-se com uma almofada. Muitas gestantes realizam a massagem no banho, no chuveiro (com uma perna sobre uma cadeira) ou sentadas no vaso sanitário. A escolha da posição é livre — o mais importante é que seja confortável.
Passo 4 - Comece a massagem. Aplique um óleo natural (de girassol, coco, amêndoas, oliva…) ou lubrificante nas mãos limpas. Insira um ou ambos os polegares cerca de 3-4 cm na vagina. Nos primeiros usos, pode ser útil usar um espelho para garantir que a massagem alcance os locais corretos. Empurre os polegares ao longo da parede posterior da vagina em direção ao ânus. Não pressione forte demais, mas aplique uma pressão suficiente para sentir o estiramento ou até uma leve queimação.
Passo 5 - Estique. Mantenha os dedos na posição esticada por um a dois minutos. Depois, mova lentamente os polegares para dentro e para fora em forma de U. Lembre-se de que a massagem deve focar nos tecidos internos da vagina, mas deve-se também sentir os movimentos na parte externa.
Passo 6 - Relaxe. Durante a massagem, tente relaxar ao máximo o corpo e a mente. As primeiras sessões podem ser desconfortáveis, mas, à medida que o períneo vai flexibilizando, a massagem pode se tornar um verdadeiro momento de relaxamento.
Passo 7 - Controle o tempo. A massagem não deve durar mais que 5 minutos.

Se não for possível encontrar uma posição confortável, mas ainda assim desejar tentar a massagem perineal, peça ajuda ao parceiro. O procedimento é igual, mas ele deve usar os indicadores em vez dos polegares. Também é possível solicitar a massagem perineal a uma dula ou parteira e, em alguns hospitais, essa massagem é realizada durante o parto, especificamente na fase expulsiva.

Proteção do períneo também durante o parto

A massagem perineal na gravidez não é a única maneira de minimizar o risco de laceração ou necessidade de corte durante o parto. O períneo pode ser protegido diretamente durante o parto por meio dos seguintes métodos:

  • Posição durante o parto. Hoje em dia, na maioria dos hospitais, as mulheres grávidas podem escolher a posição em que desejam dar à luz. Para proteger o períneo, as posições mais adequadas são de joelhos, em quatro apoios ou deitada de lado; curiosamente, a pior posição é deitada de costas.
  • Aplicando compressas quentes. Aplicar compressas quentes no períneo durante o parto relaxa os músculos e ajuda a reduzir o risco de laceração.
  • Proteção manual do períneo. Durante o parto, a parteira ou obstetra pode apoiar o períneo. Essa proteção manual também é chamada de parto “hands-on” (com as mãos); o contrário é o parto “hands-off” (sem intervenção manual), em que a equipe médica apenas monitora o parto e intervém em caso de complicações.

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