Será que é TDAH, ou um comportamento infantil típico?

  Categorias: Educação, Saúde infantil,
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25. Jun'26

As crianças muitas vezes têm problemas com atenção e concentração, mas quando é que a situação é suficientemente séria para se considerar um transtorno de atenção? Nem toda a criança agitada, impaciente, inquieta ou até mal-educada tem automaticamente TDAH. Como é que este transtorno de atenção se manifesta, quais são os sinais de alerta e quando é necessário consultar um especialista?

O CDC estima que o transtorno de atenção com hiperatividade, ou seja, TDAH, é diagnosticado em 1 em cada 11 crianças. De acordo com a pesquisa, os primeiros sinais de alerta surgem frequentemente ainda antes de começar a escola — até 40% das crianças com menos de quatro anos têm dificuldades significativas de atenção, sendo o TDAH um transtorno que é diagnosticado com mais frequência em crianças em idade pré-escolar. Quais são os sintomas do TDAH e como reconhecer o TDAH em crianças?

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Como se manifesta o transtorno de atenção?

Apesar de muitas pesquisas nesta área, não é possível ter certeza absoluta sobre o que causa o TDAH. As crianças podem herdar o TDAH, já que muitas crianças e adolescentes com este transtorno têm um pai ou parente com transtornos de comportamento. Também estão em risco as crianças nascidas prematuramente, as crianças que foram expostas a toxinas nocivas (por exemplo, chumbo) ou as crianças que, durante o desenvolvimento intrauterino, foram expostas a drogas. É importante saber que o TDAH não é causado por uma educação parental inadequada.

O TDAH, ou seja, transtorno de atenção com hiperatividade (a sigla TDAH vem do inglês attention deficit hyperactivity disorder) pode manifestar-se de forma diferente em cada criança. Algumas crianças têm mais dificuldade em manter a atenção, outras são mais hiperativas e agem de maneira mais impulsiva. Existem três tipos principais de TDAH:

  • Tipo hiperativo-impulsivo (TDAH-H) - pessoas com este tipo de TDAH costumam agir sem pensar e movimentar-se muito. Os comportamentos impulsivos e hiperativos são marcantes e é típico a inquietação, correr de um lado para o outro ou interromper a fala. Os problemas de atenção são menos dominantes.
  • Tipo desatento (TDAH-I, antes ADD) - pessoas com este tipo de TDAH têm dificuldade em manter a atenção e distraem-se facilmente. A qualquer momento durante o dia, “viajam”, esquecem e ficam desorganizadas. As pessoas com o tipo desatento de TDAH são mais quietas e não apresentam sinais físicos marcantes de hiperatividade.
  • Tipo combinado (TDAH-C) - pessoas com este tipo de TDAH costumam ser impulsivas e hiperativas e têm dificuldade em manter a atenção. É a forma mais comum de TDAH, em que, ao mesmo tempo, aparecem sintomas de desatenção, impulsividade e hiperatividade. Crianças e adultos com este tipo de TDAH têm dificuldade de concentração, de ficar sentados em calma e de controlar os impulsos.

O TDAH pode afetar meninos e meninas, mas com mais frequência este transtorno é diagnosticado em meninos, porque a identificação ocorre em idade mais precoce. Isso provavelmente acontece porque, em meninos, aparece com mais frequência o tipo hiperativo-impulsivo ou combinado, que se manifesta em idade mais jovem. Já nas meninas, o tipo desatento é diagnosticado com mais frequência, e ele só se manifesta pela primeira vez na escola primária.

Os sintomas do TDAH podem ser percebidos pela primeira vez já em crianças em idade pré-escolar, ou seja, aos 3-4 anos. Se esses sinais persistirem e estiverem presentes também antes do início da escola, pode ser TDAH. Preste mais atenção se o seu filho:

  • não gosta ou evita atividades que exigem atenção por mais de um ou dois minutos.
  • perde o interesse e, após alguns minutos a fazer uma atividade, começa a fazer outra coisa.
  • em comparação com os colegas, fala muito mais e faz mais barulho.
  • sobe/escala objetos mesmo após você avisar para não fazer.
  • até os quatro anos não consegue saltar num pé só.
  • quase sempre inquieto e tem necessidade de ficar a chutar, a abanar as pernas ou a contorcer-se na cadeira.
  • coloca-se em situações perigosas por falta de medo.
  • faz amizades rapidamente com pessoas desconhecidas.
  • é frequentemente agressivo durante brincadeiras em grupo, o que pode acabar em repreensão ou até exclusão da creche.
  • se magoou por se mover ou correr rápido demais, quando você disse para ele não fazer isso.

O facto de o seu pequeno ser falante, cumprimentar as pessoas na rua ou testar a sua paciência subindo repetidamente na mesa, ainda não significa necessariamente que ele tenha TDAH. Mas se você perceber repetidamente vários sinais no seu filho e tiver a sensação de que “algo não está bem”, consulte um pediatra e explique as suas preocupações. Pode ser apenas uma fase do desenvolvimento, mas talvez seja necessária uma avaliação diagnóstica mais profunda.

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Diagnóstico difícil do TDAH na infância

Os sinais do TDAH, em maior ou menor grau, estão presentes em quase todas as crianças e têm relação estreita com o nível do desenvolvimento delas. Então, como determinar qual criança realmente preenche os critérios para TDAH e qual “vai desaparecer com o tempo”, por assim dizer? A resposta a essa pergunta nem sempre é clara e o diagnóstico de TDAH na infância é, por isso, relativamente complexo e demorado.

Ao diagnosticar TDAH, é preciso considerar as seguintes questões:

  • O comportamento da criança é o quão extremo?
  • Quanta dificuldade ou prejuízo esse comportamento causa?
  • O quanto a criança se desvia do desenvolvimento típico?
  • Em que medida o comportamento afeta a aprendizagem?
  • Em que medida o comportamento afeta as relações com a família e com os colegas?
  • O comportamento suspeito fica restrito a certos ambientes/horários do dia ou é contínuo?
  • O comportamento inadequado está presente na maior parte do tempo?

O diagnóstico de TDAH ocorre por meio de observação e é um processo, não uma única consulta ao médico. O médico precisa conhecer a história clínica completa e a história familiar, e a criança não pode evitar um exame físico, no qual se avalia principalmente visão e audição para excluir outros problemas de saúde que podem se manifestar de forma semelhante ao TDAH.

Parte do diagnóstico de TDAH inclui entrevistas com os pais e com a criança, durante as quais o especialista recolhe informações sobre os sinais. Ele se interessa por quando o comportamento da criança aparece e que poderia indicar TDAH, verifica se a criança tem dificuldades na creche ou na escola, se tem problemas para seguir a rotina diária e assim por diante.

Um passo necessário no diagnóstico de TDAH são escalas de avaliação padronizadas, que medem a gravidade dos sintomas e avaliam se a criança tem realmente o transtorno. As ferramentas de avaliação mais comuns são a ADHD Rating Scale, a escala de avaliação de TDAH de Conners e o questionário diagnóstico de Vanderbilt.

O diagnóstico correto do TDAH exige acompanhar a criança em diferentes ambientes, ou seja, não apenas no consultório, mas também em casa, na escola ou durante brincadeiras no parquinho. Os sintomas do TDAH aparecem ao longo do dia, em diferentes atividades, e mais de um sintoma deve estar presente, além de eles precisarem persistir por mais de seis meses.

Para determinar melhor o diagnóstico, as escalas de avaliação são complementadas com testes psicológicos e cognitivos, que ajudam a excluir outros transtornos, por exemplo, autismo, síndrome de Tourette, transtorno obsessivo-compulsivo, depressão ou ansiedade. Exames de RM (RM) e outras técnicas de imagem do cérebro não fazem parte da avaliação padrão, mas podem ser um complemento de pesquisa para ajudar a compreender o transtorno.

Tratamento que não cura

Apesar da conscientização em todo o mundo, muitas pessoas ainda acreditam que o TDAH é uma doença que pode ser curada como uma inflamação dos brônquios. Embora exista tratamento para o TDAH, ele não cura o transtorno de atenção, mas pode ajudar significativamente a aliviar os sintomas. O tratamento do TDAH geralmente envolve medicamentos em combinação com terapia, e o diagnóstico precoce também desempenha um papel importante.

Apenas iniciar medicamentos e tomá-los regularmente não é suficiente e, embora hoje a consulta a um psicólogo ainda seja um pouco um tabu, a terapia para TDAH com um psicólogo infantil experiente tem um impacto significativo na melhora do estado da criança. Graças à terapia, o pequeno paciente aprende estratégias de enfrentamento que podem ajudar com os sintomas e com o comportamento típico do TDAH. A terapia também é indicada para os pais, que aprendem a reagir ao comportamento das crianças.

A educação de uma criança com TDAH é um pouco diferente da educação de crianças sem esse diagnóstico. De acordo com o respeitado centro americano de pesquisa e educação Mayo Clinic, existem cinco estratégias de comportamento que ajudam os pais a lidar com o TDAH em crianças:

  1. Elogie e recompense as crianças por seguirem as regras. Crianças com TDAH esperam críticas com mais frequência do que outras crianças e também as recebem, o que pode afetar a autoestima. Por isso, é importante elogiar o bom comportamento, o cumprimento das regras e ouvir com mais frequência do que criticar o comportamento ruim. Haverá dias em que talvez seja difícil encontrar algo positivo no comportamento da criança, mas isso certamente não será impossível.
  2. Dê instruções ou comandos práticos e claros. Para chamar a atenção da criança, estabeleça contacto visual ou toque de leve na mão ou no ombro. Dê comandos curtos, simples e objetivos, que vão direto ao ponto, e evite exigências complexas, perguntas e vários comandos ao mesmo tempo.
  3. Crie hábitos saudáveis. Se o seu filho já toma medicamentos para TDAH, certifique-se de que ele os toma regularmente e conforme recomendação do médico. Entre os hábitos saudáveis também estão um sono suficiente e saudável, uma alimentação equilibrada e regular, rica em vitaminas e minerais, seguir o regime de ingestão de líquidos e ter atividade física. Esses hábitos saudáveis ajudam as crianças a se sentirem o melhor possível, contribuem para minimizar os sintomas do TDAH e, com eles, as crianças terão a vida um pouco mais sob controlo.
  4. Crie rotinas para tarefas de casa e afazeres domésticos. Junto com as crianças, elabore uma lista de verificação do que precisa ser feito durante o dia. Na lista não devem faltar as tarefas de casa, os afazeres domésticos pelos quais a criança é responsável, nem a higiene matinal e a higiene noturna. Incentive a criança a usar esse plano. No caso das tarefas de casa, é adequado definir um tempo e um local para fazê-las, e a sua supervisão, idealmente, 2-4 vezes por hora. Considere também a necessidade da criança de pausas, por exemplo, para pensar ou para se movimentar.
  5. Ajude a criança a construir relações, desenvolver habilidades sociais e manter amizades. As crianças são muito atentas e, quando percebem que algo não está bem com algum colega na creche ou no parquinho, podem evitá-lo. Ajude o seu filho a estabelecer e desenvolver pelo menos uma amizade próxima, assuma a iniciativa para organizar brincadeiras em conjunto e peça aos professores da creche e da escola que tratem essa criança da mesma forma. Ao mesmo tempo, seja um bom exemplo de comportamento para a criança e reserve três a cinco dias por semana para um tempo especial com o filho, sem conflitos e sem ecrãs.

O diagnóstico do transtorno de atenção com hiperatividade na infância persiste como TDAH na vida adulta em cerca de 60% dos casos, mas isso não significa, de forma alguma, o fim do mundo. O diagnóstico precoce, o tratamento adequado, a terapia e o interesse dos pais pelo mundo da criança com TDAH contribuem significativamente para que a criança não tenha problemas no futuro com uma vida plena e, inclusive, possa ser bem-sucedida em qualquer coisa que decida fazer.

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